quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Caixas

Estático diante da poeira das coisas, das caixas, de tantos papéis e suas autenticações mecânicas anunciando em silêncio o quanto fui um cidadão correto e cumpridor dos meus deveres e compromissos nos últimos tempos. Grande merda. Eloqüentes são os tênis gastos e sujos, amontoados no último vão do armário que daqui a meia hora irão desmontar para a mudança. Cadarços encardidos, solados cheirando a chiclete-preso-em-sarjeta-de-rua, dos tantos ônibus, sinais de trânsito, asfalto, poeira e pedra de calçamento por onde me dispus andar todos esses anos para chegar, enfim, vejam só, a lugar nenhum. Falta muito mais do que posso conceber. Preciso de tênis novos. Eles estão a caminho.

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